Mais de 9,4 mil alunos da rede estadual do Rio Grande do Sul avançaram de ano mesmo reprovando em até quatro disciplinas. A chamada progressão parcial pode até aliviar os números da repetência, mas acende um alerta que não pode ser ignorado.
Na prática, o Estado comemora indicadores mais bonitos, enquanto o problema real segue intacto. Mudar a estatística não significa melhorar o aprendizado. O risco é claro, empurrar alunos com defasagens básicas para frente, acumulando dificuldades que vão cobrar seu preço mais adiante.
A justificativa oficial aponta o combate à evasão, especialmente entre jovens mais vulneráveis. É um argumento relevante, mas incompleto. Aprovar sem garantir que o aluno aprendeu não resolve o problema, apenas adia o fracasso.
A própria secretária estadual da Educação, Raquel Teixeira, classificou o primeiro ano da medida como dentro da normalidade esperada, com continuidade prevista para 2026. O problema é justamente esse, tratar como normal algo que deveria preocupar.
A escola precisa formar, não apenas promover. Quando a exigência é flexibilizada além do limite, a mensagem é perigosa, o esforço deixa de ser necessário.
O resultado aparece depois, jovens com dificuldade de interpretação, formação frágil e menos oportunidades.
Educação de verdade exige enfrentamento, não maquiagem.
Aprovação sem aprendizado preocupa no RS
Por J. Saraiva
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