De volta ao trabalho após período de férias, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) intensificou, nesta semana, as articulações políticas para fortalecer seu palanque na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul em 2026. Embora ainda faltem meses para as convenções partidárias, o movimento ocorre em um cenário de base fragmentada e com aliados estratégicos já negociando com outras pré-candidaturas.
Dos dez partidos que integram a base do governo Eduardo Leite, apenas MDB e PSD mantêm, neste momento, compromisso formal com a candidatura da situação. As demais siglas avaliam caminhos próprios ou dialogam com outros projetos ao Piratini, o que amplia o desafio de Gabriel em consolidar uma coligação robusta.
Um dos principais pontos de tensão é o Progressistas. Com forte capilaridade no Interior, oito deputados estaduais, três federais e mais de 160 prefeitos, o PP era considerado peça-chave para a formação do palanque emedebista. No entanto, decisão recente do diretório estadual indicou aproximação com o PL e com a pré-candidatura de Luciano Zucco, aprofundando a divisão interna da legenda e reduzindo as chances de alinhamento automático com o MDB.
A possível saída do PP acende alerta no núcleo governista, pois pode estimular uma debandada de outros partidos da centro-direita, como PSDB, Republicanos e Podemos, que também mantêm conversas paralelas com diferentes pré-candidatos. O cenário expõe uma disputa aberta pela formação dos principais palanques no Estado.
Na centro-esquerda, PSB e PDT também demonstram tendência de afastamento, com articulações que envolvem o PT e projetos próprios, o que reduz ainda mais a previsibilidade da base governista.
Internamente, dirigentes do MDB avaliam que Gabriel precisa acelerar a construção política e ampliar sua visibilidade para evitar que dúvidas sobre sua competitividade ganhem força. Nos bastidores, há preocupação com o papel de Eduardo Leite no processo sucessório e com a necessidade de apresentar um projeto que una continuidade administrativa e discurso de renovação.
Com a base dividida e múltiplos movimentos em curso, o vice-governador entra em uma fase decisiva de articulação. O sucesso dessa ofensiva política será determinante para definir se Gabriel conseguirá manter o status de candidato natural da situação ou se o tabuleiro eleitoral seguirá se redesenhando até março.
Com base dividida, Gabriel Souza retoma articulações para fortalecer palanque ao governo do RS
Por J. Saraiva
| | 31 visualizações