Escanteado no partido onde apostava construir uma alternativa nacional, Eduardo Leite ainda deve reagir em meio a um cenário de perda de espaço e incertezas. Não é a primeira vez, e dificilmente será a última que o sonho escapa pelas mãos, sempre ali, quase alcançado, mas nunca concretizado.
O histórico indica dificuldade em aceitar papéis secundários, e o Senado, para ele, jamais pareceu destino suficiente.
Em 2022, Leite renunciou ao governo do Rio Grande do Sul para se colocar à disposição do PSDB, mirando a Presidência. Não levou.
Agora, derrotado na disputa interna do novo partido, reagiu com críticas, mas fez questão de reafirmar que não abre mão do protagonismo. O discurso de “nem esquerda, nem direita” segue cercado de desconfiança. O apoio ao petista Fernando Marroni em 2024, em sua cidade natal, permanece como uma contradição difícil de apagar.
Uma tentativa de sobrevida veio de Roberto Freire, que defende sua volta à federação PSDB e Cidadania para viabilizar uma candidatura presidencial. Por enquanto, mais desejo do que realidade.
Com a janela partidária se fechando, qualquer movimento exigirá rapidez e alto custo político. Até aqui, Leite ensaia um silêncio que parece estratégico, mas ele não é exatamente o tipo que aceita encaixotar as próprias ambições, muito menos sair sem destino quando ainda há palco, luz e plateia disponíveis.
Leite corre contra o tempo
Por J. Saraiva
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