Melo recebeu R$ 15.593,82 em diárias para passar seis dias na COP30, em Belém. A cifra é mais que o dobro do que determina a própria tabela oficial da prefeitura, que estipula R$ 1.180,17 por dia para viagens nacionais. Mesmo assim, o prefeito embolsou R$ 2.598,97 por dia. Um valor de diária internacional. No papel, porém, consta como “diárias no país”.
O contribuinte paga. O prefeito agradece. E viaja.
Pelo cálculo correto, Melo deveria ter recebido R$ 7.080,96. Mas recebeu R$ 15,5 mil. A diferença sai do bolso de quem enfrenta ônibus atrasado, esgoto estourado e atendimento lotado nas unidades de saúde.
E a comitiva não ficou atrás. O secretário Germano Bremm, a chefe de gabinete Carolina Seeger e a diretora Rovana Reale também levaram o mesmo valor. R$ 15.593,82 para cada um. Mais de R$ 62 mil no total. Tudo sob um decreto assinado pelo próprio Melo, que garante que todo mundo que viajar com ele recebe a mesma diária que ele, independentemente do cargo. Uma equiparação que funciona muito bem quando a conta é pública.
Em 2025, Melo já gastou R$ 71.208,61 em diárias. Quarenta e um dias viajando, quase o equivalente a dois meses do seu salário inteiro.
E esta nem é a viagem mais cara. Em fevereiro, ele recebeu R$ 25.989,70 para ir à Holanda, também com diárias internacionais, para “conhecer soluções de contenção de águas”. A diária na Europa custou exatamente o mesmo que a diária em Belém. Coincidências que só acontecem quando quem paga é o contribuinte.
A prefeitura não respondeu por que pagou diárias internacionais para uma viagem nacional. Mas o silêncio, neste caso, diz muito.
Enquanto isso, o porto-alegrense continua pagando caro para ver seu dinheiro voar.
Melo transforma diárias em luxo e deixa a conta para o contribuinte
Por J. Saraiva
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