Denúncia

Policiais penais denunciam postura autoritária e falta de diálogo no governo Leite após secretário sugerir demissão de servidor

Por J. Saraiva

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Policiais penais denunciam postura autoritária e falta de diálogo no governo Leite após secretário sugerir demissão de servidor
A resposta do secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, a um servidor da Polícia Penal escancara muito mais do que falta de sensibilidade individual; ela revela um padrão de comportamento que se repete no governo de Eduardo Leite. Diante da cobrança legítima de um trabalhador que está há mais de uma década sem promoção, a orientação direta foi simples e chocante:

“Já te dei a sugestão. Pede exoneração”.

A manifestação, feita em rede social, foi classificada pelo Sindicato da Polícia Penal do Rio Grande do Sul como incompatível com a responsabilidade do cargo. Segundo o Sindppen-RS, não se trata de um episódio isolado, mas de uma postura recorrente, marcada pela ausência de diálogo, pela desconsideração com os servidores e por um estilo autoritário de gestão.

O próprio sindicato relata que, logo no primeiro encontro com a categoria, o secretário deixou claro que não pretendia dialogar, afirmando que nunca o fez quando foi prefeito e que manteria a mesma conduta à frente da pasta. O resultado é previsível: desmotivação e incentivo indireto à exoneração de profissionais que já enfrentam sobrecarga extrema.

A regulamentação da Polícia Penal, apresentada pelo governo como conquista histórica, é citada pelos trabalhadores como exemplo de imposição feita sem escuta efetiva. Mudanças em escala, carga horária e retirada de direitos ocorreram em um contexto de déficit grave de pessoal. Hoje, o número de apenados cresceu de forma expressiva, novas unidades foram abertas e a proporção de servidores por preso piorou de maneira significativa, aprofundando a crise no sistema prisional.
Some-se a isso o arrocho salarial. Apesar de anúncios oficiais de reajustes parcelados, a categoria acumula mais de uma década sem reposição integral da inflação, o que corrói o poder de compra e transforma a promoção funcional, muitas vezes atrasada por anos, em uma tentativa de compensação mínima.

Quando um servidor expõe essa realidade e recebe como resposta um convite para sair, a mensagem é clara. Não há empatia, não há valorização, não há disposição ao diálogo. Essa postura arrogante não é um desvio isolado; ela é o retrato fiel de um governo que prefere a propaganda institucional ao enfrentamento real dos problemas, e que trata o servidor público como descartável quando ele ousa cobrar respeito.

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