Polícia “linha-dura”, aceno ao capital privado e defesa da vida. De repente, a esquerda resolveu descobrir pautas que sempre combateu, como se bastasse trocar o figurino para enganar o eleitor. A mudança ganhou força após a vitória de Lula em 2022 e, principalmente, depois que a realidade começou a cobrar a conta na forma de queda de popularidade e desgaste precoce do governo.
O problema é que a estratégia não cola, sobretudo no Rio Grande do Sul. Aqui, o eleitor não esquece que a mesma esquerda que agora fala em combate ao crime ainda relativiza drogas, ataca as forças de segurança quando elas enfrentam facções que controlam territórios e transforma a defesa da vida em agressão ao mantra do “meu corpo, minhas regras”.
O discurso militante pode até ter sido reciclado no papel, mas segue distante do cotidiano de quem convive com violência, insegurança e abandono do Estado.
No Rio de Janeiro e no Ceará, petistas passaram a ensaiar falas mais duras contra o crime organizado, reconhecendo tardiamente que facções não só traficam drogas, mas impõem um Estado paralelo. O detalhe incômodo é que esse diagnóstico sempre foi óbvio para quem vive fora das bolhas ideológicas.
No Sul, onde a memória política é mais afiada, o eleitor tende a reconhecer quando a mudança é convicção e quando é apenas marketing eleitoral. Trocar o discurso não apaga o histórico. E histórico, por aqui, ainda pesa muito na hora do voto.
PT tentará se disfarçar de direita para conquistar eleitores conservadores
Por J. Saraiva
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