Em apenas 27 dias, o Rio Grande do Sul já soma 10 feminicídios em 2026. Dez vidas interrompidas. Dez famílias destruídas. Dez provas de que o discurso do governo não se transforma em ação concreta. Enquanto mulheres morrem, o Estado faz anúncios, posa para fotos e entrega manchetes.
A recriação da Secretaria da Mulher pelo governo Eduardo Leite, extinta há dez anos, foi vendida como avanço. Na prática, virou um produto de marketing. Uma secretaria criada para parecer ação, mas sem a estrutura mínima para enfrentar a realidade brutal da violência. Mais vitrine do que política pública.
A nomeação de Fábia Richter escancara o uso político da pasta. Cotada para disputar uma vaga de deputada federal pelo PSD, a Secretaria virou trampolim eleitoral. O problema é que, do jeito que está, sem verba, sem estrutura e sem resultados concretos, o palanque pode não render o efeito esperado. Não se constrói capital político em cima de uma secretaria esvaziada e incapaz de responder à tragédia que se desenrola no Estado.
O governo destinou apenas 0,02% do orçamento de 2026 para a Secretaria da Mulher. São R$ 18 milhões, exatamente o mesmo valor de 2015, quando a pasta foi extinta.
Recriar uma secretaria com orçamento congelado no passado não é política pública. É maquiagem que não salva vidas. É vitrine, não é compromisso. Falta tudo: recursos, equipes, prevenção, acolhimento, integração com segurança, saúde e assistência social.
Enquanto isso, o Rio Grande do Sul segue enterrando mulheres, uma após a outra, diante da omissão de quem deveria agir.
Secretaria sem verba, mulheres sem proteção
Por J. Saraiva
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