Opinião

Eduardo Leite posa de centro, mas atua fielmente pela cartilha da esquerda

Por J. Saraiva

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Eduardo Leite posa de centro, mas atua fielmente pela cartilha da esquerda
O governo Eduardo Leite segue em sua ginástica política diária para tentar se apresentar como algo que não é nem direita, nem esquerda, mas um suposto centro iluminado. Na prática, porém, o que se vê é um centro-esquerda cauteloso, afinado com Brasília quando convém e disposto a flertar com qualquer campo que garanta sobrevida política. Agora, a tentativa é montar uma frente para sustentar a pré-candidatura do vice Gabriel Souza, o nome da situação para o Piratini.

Enquanto o Palácio tenta seduzir partidos com discursos genéricos e promessas amplas, a direita faz outro movimento. Cresce em torno do pré-candidato do PL, o deputado Luciano Zucco, e trabalha para atrair o Progressistas, que tem colocado na mesa o nome do presidente estadual do partido, Covatti Filho. O PP, por sua vez, não esconde o jogo. Quer um governo de direita e sabe que virou peça central no tabuleiro. Cortejado por todos, faz questão de posar como noiva exigente. Se é para casar, que as propostas sejam boas, claras e coerentes.

Dificilmente um partido que se afirma conservador e liberal na economia embarcaria em um projeto liderado por Eduardo Leite, que vive em cima do muro e, quando pressionado, costuma cair para o lado do petismo de Lula. A incompatibilidade não é apenas eleitoral, é ideológica.

Do outro lado, o PT segue com Edegar Pretto como candidato e tenta puxar o PDT de Juliana Brizola. Mesmo com o PDT ocupando espaço no governo Leite, Juliana prefere manter um posicionamento avulso, atacando direita, centro e esquerda conforme a conveniência, na esperança de ganhar fôlego nas pesquisas.

No meio desse cenário, o eleitor observa um governo mais preocupado com imagem, redes sociais e discursos bem ensaiados do que com entregas efetivas. Eduardo Leite tenta agradar todos os públicos, ora acenando para pautas de direita, ora abraçando bandeiras da esquerda, como se fosse possível ser tudo ao mesmo tempo.

Mas a política costuma ser implacável com quem não escolhe lado. E a velha máxima segue atual. Quem tenta agradar todo mundo, no fim, acaba não agradando ninguém.

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