Opinião

Eduardo Leite tenta posar de paz e amor, mas colhe vaias dos dois lados

Por J. Saraiva

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Eduardo Leite tenta posar de paz e amor, mas colhe vaias dos dois lados
O governador Eduardo Leite voltou a experimentar um velho roteiro político, o de tentar agradar todo mundo e acabar desagradando geral. Desta vez, o cenário foi um evento oficial ao lado do presidente Lula, em Rio Grande, durante a cerimônia de assinatura de contrato para a construção de navios no Polo Naval.

O resultado foi previsível, vaias fortes da plateia.

Leite tentou vender sua conhecida imagem paz e amor, com discurso institucional, apelo à união e defesa do respeito entre os diferentes. Em determinado momento, cobrou incentivos fiscais do governo federal e foi interrompido pelas vaias.

Visivelmente incomodado, pediu respeito, afirmou estar ali cumprindo seu dever institucional e lembrou que tanto ele quanto Lula foram eleitos pelo mesmo povo.

Em tom professoral, o governador ainda resolveu dar lição de convivência política à plateia, afirmando que hostilizar quem pensa diferente só “incendeia a outra metade com mais ódio, rancor e mágoa”.

A cena, no entanto, escancarou um problema recorrente. Ao tentar vestir, conforme a conveniência, uma fantasia mais próxima do petismo em ambientes de esquerda e um figurino moderado quando fala à direita, Leite acaba não sendo reconhecido como aliado por ninguém.

Nem a esquerda confia, nem a direita compra o discurso. Talvez a surpresa maior não sejam as vaias, mas o espanto do próprio governador diante delas.

Em uma plateia majoritariamente petista, assim como em ambientes conservadores, dificilmente há tolerância com quem insiste em viver em cima do muro. No fim das contas, o projeto de neutralidade afetiva segue firme. Sem amigos à esquerda, sem aliados à direita e, como o episódio mostrou, cada vez menos plateia disposta a aplaudir.

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